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Eu odeio o “jeitinho brasileiro”. A esperteza é algo que me irrita
profundamente, pois o cara esperto acha que está acima de tudo
e de todos.
Eu atribuo o caos da sociedade moderna à este jeitinho. Me envergonho,
é claro, de chamá-lo de brasileiro. Mesmo porque, o termo, no fundo, tem uma
face nobre, aquela que se diz respeito à capacidade de sobreviver em condições
precárias.
Quero começar falando do trânsito
aqui em São Paulo e na região do ABC. Temos muitos exemplos de esperteza,
ignorância
e falta
de educação. Não sei como é nos outros Estados e cidades brasileiras,
mas aqui está ficando insuportável. As pessoas querem passar uma por cima das
outras. Não existem mais ruas. É uma selva! Costumo inclusive comentar que quem
aprende a dirigir por aqui, dirige em qualquer parte do mundo (Ok... talvez
perdemos para a China e para Índia... mesmo assim nada justifica). Temos
exemplos clássicos de espertões a qualquer instante. Basta
observar qualquer esquina por 5 minutos.
Outro dia assisti um programa chamado “Zonas de Guerra” no canal da NetGeo (National Geographic), episódio “São Paulo” (me desculpem os rapazes com este adendo, mas não podia
deixar de comentar que o apresentador, Diego Buñuel, é uma graça!). Enfim...
Assim que vi a chamada dizendo que teria um episódio no Brasil, fiquei
preocupada. O que faria aqui, na nossa terra, um programa que fala sobre
conflitos de guerra como Iraque, Paquistão, Irã, etc... Somos tão pacíficos! A
chamada me deixou ainda mais curiosa:
Claro que eu assisti. Não podia perder isso por nada. E não é que fazia
sentido?! Nossos contrastes sociais refletem conflitos sérios, e que, de tão
acostumados a isso, achamos tudo muito normal. Guerra?! Ahhh só se for no
Oriente Médio. Aqui não tem isso. Imagina!
Para não fugir muito do meu tema inicial, citei este programa porque ele
tratou de 3 assuntos interessantes a serem abordados: trânsito, pichação e religião. Três temas cheios de esperteza!
O trânsito já comentei nos
parágrafos acima. Só acrescento que o problema de haver uma grande frota na cidade facilita a geração de espertos. A natureza da esperteza
aflora nos corações habilitados...
A pichação é uma vergonha! O
apresentador acompanhou uma noite de pichação no centro da cidade e em dado
momento perguntou ao vândalo: “O espaço
que você acabou de pichar deve ter uma família morando... você já pensou
nisso?”. E a resposta foi: “A família
está da janela pra dentro... da janela pra fora o espaço é público”. Vejam
só que resposta típica de esperteza. O esperto não enxerga
limites entre o seu espaço e do outro. Ele transpassa limites por se achar no
direito.
Com relação à religião
prefiro não fazer muitos comentários, mas é sabido por todos que alguns se
aproveitam da fé alheia em movimentos típicos de esperteza.
Não quero me alongar muito neste post para não ficar cansativo e
repetitivo. Sendo assim, finalizo perguntando a você que chegou até aqui: Onde estão nossos limites? Esperteza é
motivo de orgulho nacional?
Para quem quiser assistir a chamada do programa que citei, segue abaixo:
OBS: Sabiam que São Paulo é a cidade que mais vende blindagem no mundo?
Descobri neste programa. Pois é... mas
isso é tema para outro post.







