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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Relações Pais e Filhos


Parte 1: Dependência 

As relações humanas nos tornam seres complexos, e se formos mais à fundo e estudarmos as convenções sociais familiares chegaremos a conclusão que somos todos loucos. Muitas vezes me deparo em meio a várias teorias para entender o porquê fulano é assim e ciclano é “assado”.

É fato que somos fruto da criação/educação que tivemos e das escolhas que tomamos no decorrer da vida. Todos os dias temos que decidir entre manter o mesmo caminho ou mudar a direção. Algumas vezes nossas escolhas cruzam com outras pessoas, outras vezes impactam apenas em nossas próprias vidas. Mas voltando ao assunto inicial, muitas das nossas decisões impactam na vida familiar.

Agora que estou grávida talvez comece a entender um pouco mais a fundo a respeito de laços e vínculos. A primeira pergunta a ser respondida é... por que ter filhos? No meu caso, tudo foi planejado e tem seguido o curso “natural” da vida... estudei, consegui emprego, encontrei alguém para dividir minha vida, compramos nossa casa, casamos, e agora vamos colocar no mundo alguém para dar seguimento às nossas conquistas... vamos dar vida a alguém que marcará nossa passagem por este mundo... Seria essa a resposta, então?! Talvez essa seja a solução momentânea que posso dar, afinal, tenho um longo caminho a percorrer e a única certeza é a de que minhas visões de mundo podem mudar de uma hora para outra através das experiências vividas.

Deve ser muito difícil para uma mãe/pai não contaminar os filhos com suas frustrações e experiências ruins. Alguns temem que sua cria torne a repetir seus erros, outros querem se realizar através dos filhos, e há ainda os que querem controlar e tê-los apenas para si para suprir suas carências.

Essa relação de dependência entre pais e filhos deve ser avaliada com calma. Principalmente quando os papéis se invertem. A princípio os filhos precisam dos pais para absolutamente tudo, desde suas necessidades físicas e fisiológicas até a orientação e o investimento financeiro. Ao decorrer do tempo, a situação se inverte devido às limitações no período de envelhecimento... a saúde passa não ser mais a mesma... o tempo parece passar mais depressa... o idoso fica cada vez mais lento, e o mundo, que está em constante transformação, não espera por ninguém...

Vou fazer uma analogia para ver se fica mais fácil a compreensão do que quero transmitir... Pense: Passarinho que viveu numa gaiola e foi solto para desbravar os céus... vai ser feliz se tiver que voltar viver preso na mesma gaiola?

Vamos expandir esta idéia...

Nascemos dentro de uma gaiola e lá permanecemos até iniciarmos a fase adulta. Neste meio tempo aprendemos o certo e o errado e somos impulsionados a ir em busca do céu. Começamos a tomar decisões e buscamos aprender com experiências externas. Descobrimos o mundo... e sentimos necessidade de ter a própria gaiola... mas essa não será exatamente igual a antiga, será feita de acordo com nossos princípios, regras e experiências.

Levando em consideração este ciclo, para os que precisam entrar em uma gaiola construída por outro pássaro, é necessário voltar a ser passarinho e a desistir de sua antiga gaiola (se ela existir). É preciso desistir do comando e deixar-se levar pela experiência de dependência da mesma forma que aconteceu no início da vida. Se você depende do outro e vai mudar-se para a gaiola dele, não pode querer levar consigo sua própria gaiola dentro da bagagem. Não há espaço para duas gaiolas num mesmo ambiente, exceto se elas forem colocadas lado a lado.

Somos todos dependentes dentro do círculo social familiar. Precisamos apenas saber discernir entre o momento de liderar e o momento de ser liderado. É muito mais fácil deixar-se orientar na fase jovem do que na fase idosa. Talvez pedir a alguém que já viveu tanto tempo para começar do zero seja algo extremamente complicado... mas talvez seja esse o sentido da vida... não ter medo de recomeçar com as condições que possui... nada nesta vida é permanente.

Reminiscências do passado só têm valor sentimental. A vida continua e não vai parar porque você adquiriu limitações físicas. É preciso aprender a conviver com isso. É como muitos deficientes físicos de sucesso pensam. É necessário encontrar uma forma de ser feliz dentro das próprias condições e compreender que a ajuda que vem do “outro” nem sempre virá da forma que desejamos. Apenas para esclarecer meu ponto de vista, um pai/mãe nunca deve abandonar o filho, e vice-versa. A relação deve ser estreita entre ambas as partes e acordadas de forma que todos possam se beneficiar com uma boa convivência.

Converso muito com meu marido e aprendemos que a convivência de adultos debaixo do mesmo teto só é possível se todos:

... tiverem a mesma visão de mundo
... puderem respeitar o espaço “do outro”
... estiverem dispostos a ouvir “o outro”
... reconhecerem seus próprios erros. 

sábado, 30 de outubro de 2010

A Carta do Paulo...


Este post vai ser um pouco diferente porque o texto não foi escrito por mim. Na verdade, estou reproduzindo uma carta de despedida escrita por uma pessoa que amo muito: meu irmão Paulo. Resolvi eternizar as palavras ditas por ele no seu último dia no antigo emprego (ontem! ). Para compreender o contexto desta linda recordação, devo dizer que ele acaba de realizar um sonho... Foi contratado por uma companhia aérea e passará a ter asas a partir do próximo mês. Tenho muito orgulho dele e não me alongarei nesta introdução pois a carta mais parece um livro de tão longa... Isso mesmo! Parece o último capítulo de uma linda história. Vale a pena ter paciência e perder um tempinho aqui. Se não puder fazê-lo agora, faça quando tiver mais tranqüila(o). Estou certa de que você vai querer estar no lugar da Mary, da Paula, do Anderson, da Mônica, da Joana, do Marcelo, da Erika...

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Walking gets too boring when you learn how to fly” (“Caminhar torna-se entediante depois que aprendemos a voar”) – Essas palavras vindas da famosa música Gypsy da Shakira nunca fizeram tanto sentido para mim como agora... Depois que descobri o tamanho do universo, não pude mais continuar a viver no mesmo mundinho.

Ainda lembro quando entrei na empresa, 2 anos atrás, muitas pessoas passaram por aqui, somente algumas ficaram. No início eu era o único que conferia os documentos, com o passar do tempo o volume de trabalho aumentou significativamente e o destino me presenteou com uma irmãzinha mais nova para dividir a difícil tarefa de um revisor, oficialmente ela atende por Mariane, mas podemos chamá-la de Mary, Nani, Menininha, Pequena, Xuxu etc. (rsrs...).

Acredito que já posso chamar nossa pequena Mary de “irmã”, pois nesse tempo em que passamos juntos aprendi que do mesmo modo que algumas mães engravidam no ventre, outras engravidam no coração e essa questão consangüínea não influencia nenhum pouco na legitimidade do amor materno, pois, de qualquer modo, os laços sempre serão estabelecidos dentro do coração da família que cria. Pois bem, já que os laços de parentesco são criados mediante convivência e amor, sinto-me no direito de reivindicar meu cantinho reservado na qualidade de irmão no coração dessa Grande Pequena criatura!

Sua alegria contagiante tornou-se fundamental não apenas para colorir o clima cinzento que pairava pela empresa, mas também para ajudar a aliviar o estresse durante a revisão das traduções.

Por Deus! E como é difícil revisar esses textos! Nossa tarefa não é muito valorizada no mercado, pois somente quem revisa compreende os milagres que fazemos todos os dias nos trabalhos que nos são entregues. Muitas pessoas não acreditam, mas ter o mínimo de base teórica formada na área (como por exemplo, conhecer o conceito de desverbalização do sentido ou a Teoria do Modelo dos Esforços na Tradução) representa a mesma diferença entre “Avenida del Estado de São Pablo” e “Avenida Paulista” ou até mesmo “Jaula de Seguridad” e “Cofre de Banco”.

Somos seres invisíveis que apenas são notados quando alguma coisa está errada e, quando o trabalho está perfeito, os créditos são dados apenas ao tradutor responsável. Mesmo assim, este pequeno ser, que atende pelo apelido de Nani, nunca perdeu o rebolado, nem o sorriso e fez com que o trabalho ficasse mais gostoso de ser feito. Por diversas vezes, em momentos extremamente tensos, senti vontade de abandonar todo o trabalho em cima da mesa e voltar para casa definitivamente, já não agüentava mais revisar os trabalhos feitos por amadores como o Ambrósio, o Pierre a Cida ou qualquer outro tradutor de espanhol, mas foi o jeito alegre e cativante de minha pequena que me deu forças para querer voltar ao serviço no dia seguinte. Lembro que em um de nossos momentos de descontração inventamos o bordão “Só por hoje!” (rsrsrs...) 

Pequena, sentirei muitas saudades desse seu sorrisão e bom humor irradiante que estou acostumado a conviver diariamente. Não perca nunca essa sua alegria e vontade de viver. E nos momentos mais sombrios ou depressivos, peço que você tenha fé no seu objetivo de vida, use-o como meta e lute bastante para que esse alvo seja alcançado. Lembro uma vez, que quando estávamos na cozinha, por algum motivo que eu não recordo, estava comentando contigo sobre kierkegaard, quando ele tentava encontrar uma explicação para a fé estabelecendo um limite entre a razão e a crença e, já no fim de sua vida, ele conclui que apesar dele estar muito velho para ultrapassar o limite do racional, ele não poderia ignorar esse mundo desconhecido, que nós estabelecemos contato mediante a fé. Em um de seus exemplos o filósofo afirma que a fé é um grande salto no absurdo, entretanto, ele se declarava muito velho para conseguir saltar. O que eu quero dizer com esse exemplo é que, se você acorda pensando em dublagem, trabalha pensando em dublagem, almoça pensando em dublagem e dorme pensando em dublagem, então você já é uma dubladora, mesmo que a razão te diga que é muito difícil ou praticamente impossível chegar lá. Não espere o tempo passar por sua vida, porque depois que você ficar muito velha, talvez você não consiga dar o grande salto da fé.

Quando queremos muito alguma coisa, o universo conspira ao nosso favor por intermédio da sorte. Prepare-se bastante nesse meio tempo, pois quando a sorte bater na sua porta, ela analisará o seu histórico.

Sentirei muitas saudades de ouvi-la cantarolando ao meu lado, das tentativas de falar “world” e dos seus “entertainments”. Se você fosse um objeto precioso certamente seria uma pedrinha Swaroswsky, porque é uma pedra pequena, irradia luz e, também, é o cristal mais gay que eu conheço !!!! rsrsrsrs...

Logo depois da Mary, fui presenteado com outra amiga na equipe, seu nome é Paula, mas também podemos chamá-la de Arroz, Lagarta ou Nega do Leite. Trata-se de uma mulher fantástica, que apesar de ter uma língua enorme, seu coração é maior ainda.

A Paula é uma excelente amiga nas horas difíceis, ela me acompanhou em várias sagas, desde minhas alegrias e frustrações nas seleções na Emirates, Qatar, TAM e GOL, até nos meus projetos para mudar de vida e conquistar a tão cobiçada independência financeira, como no caso de meu plano B que eram as aulas de francês ou o plano C que era a faculdade de direito que eu passei, mas nunca me matriculei. Sempre que eu ficava triste por não ter passado em alguma seleção, ela tinha alguma palavra na ponta da língua para tentar me consolar. Lembro que quando não fui contratado na Emirates ela me disse “Mas não vamos desistir, né Paul?”. Foi uma coisa super simples e óbvia, mas, apesar disso, essa frase representou muito naquele momento e, me fez perceber que Deus está nos detalhes! Quando estamos em momentos depressivos, ele sempre envia um recadinho para nós, por meio de seus anjos mais confiáveis: “nossos amigos”.

Amiga, talvez você não tenha percebido o quanto você evoluiu profissionalmente nesse tempo todo! Suas traduções representam a mais bela expressão de sua vocação. E sei que você gosta! Gosta muito de traduzir e, não precisa ser nenhum sábio para entender que quando trabalhamos com o que gostamos o sucesso é uma conseqüência!

Você é uma tradutora, não apenas por ter graduação na área e por ser uma pós-graduanda, mas porque você cresceu, não é mais aquela pedra bruta de antigamente, sua lapidação foi concluída, agora você se transformou em um diamante reluzente! Não permita que ninguém te chame de “conferente”, isso só diminui toda a conquista que você alcançou. Você é uma excelente tradutora, e quem diz isso não é o Paulo, seu amigo, mas o Paulo Tradutor, que além dos 4 anos de experiência, possui formação na área, com especialização em Tradução Oral à Prima Vista e vencedor de três prêmios pela publicação de sua pesquisa científica no campo da interpretação.

Acredito que já chegou o momento desse diamante sair da prateleira de bijuteria e dividir o espaço com as pedras preciosas.

O “Cú”, “Curintia” ou “Anderson” não é uma pedra preciosa porque ele vale ouro! O ouro é o metal mais importante para ornar os diamantes e valorizar o produto final. O jeito franzino e simples de ser do “Curintia” esconde um homem muito dedicado e trabalhador. Certamente a empresa não seria a mesma sem as incontáveis horas que ele se dedica trabalhando até tarde da noite.

A Mônica com certeza é a Esmeralda, por um simples motivo: “É verde!” (rsrsrs...). Sentirei falta de ouvir as histórias que você sempre tem para contar! Admiro muito sua desenvoltura com seus clientes no telefone, pois diferentemente dos Sofistas que conquistam seu público alvo manipulando a verdade, você conquista as pessoas com sua simpatia e carinho.

A Joana é um anel da Hello Kitty (rsrsrs...), seu jeitinho meigo de ser é fundamental para a manutenção do clima de união da empresa!

O Marcelo e a Erika são os brilhantes da coleção, cada um por si tem seu destaque especial e, quando juntos, compõem um brilho fulgente. A diferença é que a Érika é um brilhante que gosta de calça de bolotas com blusinha de paetês!!! (rsrsrs...).

Não tive tempo o suficiente para conhecer o Pedro, mas certamente ele se habituará com toda essa equipe e os amará do mesmo jeito que eu amo.

Sendo assim, agradeço a todos que fazem parte desse time da Top Traduções, durante esses quase dois anos, vivenciamos muitos momentos felizes. Agradeço principalmente ao joalheiro chefe, “o Boss”, que com o passar do tempo tive a oportunidade de conhecê-lo um pouquinho como pessoa e notei, que como ser humano ele é fantástico e, certamente seus amigos devem enxergá-lo com todas essas cores que aprendi a enxergar no decorrer do tempo. Agradeço ainda pela sua sensibilidade em compreender todas as minhas ausências na Top para que eu pudesse participar das seleções das Cias Aéreas que eu era chamado. Como chefe eu espero que ele saiba cuidar bem de todas as suas jóias para que nenhum ladrão algum dia as tente roubá-las. Gostaria de lembrar mais uma vez, que existe um diamante empoeirado na prateleira de bijuterias e ele merece ser limpo e colocado em destaque junto às jóias.

É isso aí gente! Ganhei asas!

Não posso dizer que estou vivendo um sonho porque foi bem acordado que cheguei até aqui. Estou muito contente, finalmente vivenciarei o maior desejo de minha vida: - Voar...

A proximidade da despedida é a certeza da saudade que já começo a sentir e a convicção do valor especial de vocês em minha vida. Amigos, não gostaria de me despedir agora e dizer como esses dois anos foram, porque “foram” representa o passado e eu não quero pensar em nossa equipe como algo do passado e, também, não gostaria que vocês pensassem dessa forma, por isso é importante que vocês tenham ciência de que essa só é mais uma nova etapa de minha vida e não um rompimento de contato. Então, eu penso que tristeza não combina muito com esse momento, porque a tristeza nunca fez parte de nosso dia a dia.

Obrigado, só isso eu posso dizer pelos fantásticos 2 anos que passei na companhia de vocês! Tenham a ciência de que Deus está ao nosso lado, dando-nos apoio sempre, por isso, curtam os bons momentos da vida, lutem pelos seus ideais, apaixonem-se, trabalhem muito, sejam humildes, façam acontecer!

É impossível esquecer um amigo, principalmente esse grupo de amigos que formei aqui, amigos que sorriram, que aprenderam, que brincaram, que sonharam juntos. É impossível também, deixar de sentir um nó na garganta, um aperto no coração e lágrimas insistindo em rolar.

Paulo Henrique Serino

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Frases que não consolam...

Foto: Mary-Anne v d byl


Resolvi escrever um post sobre coisas que nos dizem quando estamos decepcionados ou tristes e que não servem de nada. A intenção, na maior parte da vezes é boa... mas vamos analisar de perto.  

Quem já viveu uma decepção sabe do que estou falando. Você está ali, frustrado, achando que o mundo é injusto... um momento de total introspecção e egoísmo... e vem alguém e diz:

1) “Ahhhh não fique assim... fulano também não conseguiu na primeira...” 
Análise: Mas que raios eu tenho a ver com o fulano que não conseguiu de primeira?! Sinceramente?! Dane-se o fulano! EEEU NÃO CONSEGUI... isso não é PIOR?! É claro, que o fulano pode ser alguém com quem você se importa e torce pela felicidade. Mas na hora da frustração, que AJUDA essa informação pode te dar?! Eu respondo. NENHUMA. Dá a impressão que a sua dor é menor que a do fulano, não dá?!

2) “Na próxima você consegue!” 
Análise: Na próxima eu consigo? MAS EU QUERIA AGORA! Eu esperava pra agora... nem antes, nem depois. AGORA! Posso sentir raiva?... só um pouquinho?... e AGORA?! Depois eu penso... certamente posso analisar o porquê não consegui e tentar novamente. Mas escutar tal coisa é clichê! É o tipo de coisa que todo mundo diz, mesmo sem querer dizer. É uma frase solta. Eu prefiro que me ofereçam ajuda ao ter que ouvir isso.

3) “Agora você sentiu na pele o que fulano passou...”
Análise: Isso é punição, certo?! A pessoa falou isso porque você é uma pessoa má e tem que passar pelo que o outro passou, correto? Do contrário não faz o menor sentido. Essa observação ajuda em quê?! NADA! E ainda faz você sentir que só pensa em si mesmo. POXA! Você acabou de se frustrar... é tão ruim assim pensar apenas em si mesmo e lidar com o sentimento de perda?

4) “Deus quis assim... Ele escreve certo por linhas tortas...”
Análise: Essa pra mim é a pior... O QUE DEUS TEM A VER COM ISSO? Então Deus estava torcendo contra mim? Kd meu livre arbítrio de errar? Gente, nada contra Deus. Só acho que não é um bom momento para falar sobre Ele. Você se decepcionou... vamos tirar Deus desta jogada... O que ajuda esta informação? Você vai ficar melhor se achar que Deus quis assim? Duvido! Isso leva tempo...


E eis que surge a pergunta... o que consola então?! 

Basta perguntar se pode ajudar de alguma forma... um abraço... um ombro... ou não diga nada... ou lamente também! A pessoa não quer sermão... não quer saber de fulanos... não quer nada. Quer apenas que a dor passe.

Sabe, não quero ser uma ingrata, mas é que às vezes dizemos coisas que ao invés de ajudar, deixa a pessoa mais chateada ainda...

Termino aqui com uma frase do sábio Renato Russo:
“O tempo é mercúrio-cromo”.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Jeitinho Brasileiro"

Fonte: Link

Eu odeio o “jeitinho brasileiro”. A esperteza é algo que me irrita profundamente, pois o cara esperto acha que está acima de tudo e de todos.

Eu atribuo o caos da sociedade moderna à este jeitinho. Me envergonho, é claro, de chamá-lo de brasileiro. Mesmo porque, o termo, no fundo, tem uma face nobre, aquela que se diz respeito à capacidade de sobreviver em condições precárias. 

Quero começar falando do trânsito aqui em São Paulo e na região do ABC. Temos muitos exemplos de esperteza, ignorância e falta de educação. Não sei como é nos outros Estados e cidades brasileiras, mas aqui está ficando insuportável. As pessoas querem passar uma por cima das outras. Não existem mais ruas. É uma selva! Costumo inclusive comentar que quem aprende a dirigir por aqui, dirige em qualquer parte do mundo (Ok... talvez perdemos para a China e para Índia... mesmo assim nada justifica). Temos exemplos clássicos de espertões a qualquer instante. Basta observar qualquer esquina por 5 minutos.

Outro dia assisti um programa chamado Zonas de Guerra no canal da NetGeo (National Geographic), episódio “São Paulo” (me desculpem os rapazes com este adendo, mas não podia deixar de comentar que o apresentador, Diego Buñuel, é uma graça!). Enfim... Assim que vi a chamada dizendo que teria um episódio no Brasil, fiquei preocupada. O que faria aqui, na nossa terra, um programa que fala sobre conflitos de guerra como Iraque, Paquistão, Irã, etc... Somos tão pacíficos! A chamada me deixou ainda mais curiosa:

“Com cerca de 20 milhões de habitantes, São Paulo, no Brasil, é a maior cidade do hemisfério sul e se caracteriza pela contradição. Nela, a cidade mais rica da América Latina, os ricos empresários voam de helicóptero para o trabalho e seus filhos adolescentes saem para ir ao shopping center em seus carros blindados enquanto dois terços da população vivem em residências irregulares e improvisadas, as chamadas favelas, repletas de corrupção e violência. Em "Dont Tell My Mother I am in Sao Paulo", Diego Buñuel convive com grafiteiros, desvia de balas e até leva um soco em nome de Jesus enquanto busca um ponto em comum entre ricos e pobres” (Fonte: NetGeo).


Claro que eu assisti. Não podia perder isso por nada. E não é que fazia sentido?! Nossos contrastes sociais refletem conflitos sérios, e que, de tão acostumados a isso, achamos tudo muito normal. Guerra?! Ahhh só se for no Oriente Médio. Aqui não tem isso. Imagina!

Para não fugir muito do meu tema inicial, citei este programa porque ele tratou de 3 assuntos interessantes a serem abordados: trânsito, pichação e religião. Três temas cheios de esperteza!

O trânsito já comentei nos parágrafos acima. Só acrescento que o problema de haver uma grande frota na cidade facilita a geração de espertos. A natureza da esperteza aflora nos corações habilitados...

A pichação é uma vergonha! O apresentador acompanhou uma noite de pichação no centro da cidade e em dado momento perguntou ao vândalo: “O espaço que você acabou de pichar deve ter uma família morando... você já pensou nisso?”. E a resposta foi: “A família está da janela pra dentro... da janela pra fora o espaço é público”. Vejam só que resposta típica de esperteza. O esperto não enxerga limites entre o seu espaço e do outro. Ele transpassa limites por se achar no direito.

Com relação à religião prefiro não fazer muitos comentários, mas é sabido por todos que alguns se aproveitam da fé alheia em movimentos típicos de esperteza.

Não quero me alongar muito neste post para não ficar cansativo e repetitivo. Sendo assim, finalizo perguntando a você que chegou até aqui: Onde estão nossos limites? Esperteza é motivo de orgulho nacional?

Para quem quiser assistir a chamada do programa que citei, segue abaixo:












OBS: Sabiam que São Paulo é a cidade que mais vende blindagem no mundo? Descobri neste programa.  Pois é... mas isso é tema para outro post.

Em complemento ao tema indico a leitura de um texto da Clarice Lispector intitulado: “Das vantagens de ser bobo” e o post da .



sábado, 28 de novembro de 2009

Convenções Sociais

Hoje quero falar sobre convenções sociais. É um tema intrigante para mim pois muitas destas regras não fazem o menor sentido. Mas antes de criticar, vamos entender melhor o que significa isso. A sociedade adota certos padrões de comportamento para que haja uma boa convivência entre as pessoas. Assim como as leis, as convenções são sabidas por todos ... e ninguém pode alegar que não sabe de sua existência, afinal está implícito na cultura. É uma marca! Uma tradição! Para “pessoas bem educadas” é como respirar.

Já dizia Heráclito: “Nada é permanente, exceto a mudança”. E é a mais pura verdade! Então, por que não questionar alguns costumes? Por que não agimos com transparência uns com os outros?

Vejamos alguns exemplos práticos:

1) Natal. É uma data cristã que reflete-se sobre o nascimento de Cristo e comemora-se junto à família. Não vou entrar no mérito religioso (deixo para um próximo post), vamos analisar a reunião da família. Por que não refletimos sobre a união familiar o ano inteiro?

2) As relações familiares vem em primeiro lugar. Quem dá amor, recebe amor. É um fato. Muitas vezes recebemos amor de quem não tem nosso sangue. Então por que minhas relações de sangue devem ser mais fortes que minhas outras relações sociais? Acredito deva existir união verdadeira em famílias que possuem uma convivência constante. Mas e se não há contato?

O grande problema das convenções está na obrigação. O correto seria fazer algo de coração e respeitar o que não é da vontade do outro. Ninguém é de ninguém. Somos livres a nos relacionar e ter nossas próprias experiências. Pense bem ... uma reunião de família deve ser feita com a real vontade de se confraternizar. Devemos visitar parentes por querer realmente conviver com eles e não por ser “o certo a fazer”. ... as nossas relações são construídas no dia-a-dia independente do outro ter nosso sangue.

Seguir protocolos em alguns casos é hipocrisia. E algumas pessoas mesmo sabendo disso cobram tal comportamento dos outros. É pedir para ser enganado. É desperdício de tempo.


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